Saíste pela porta e eu não sei o que não te dizer, se é que te deveria dizer alguma coisa.
Chamas por mim do outro lado mas eu finjo que durmo, não te quero voltar a ver. Pelo menos por agora.
Daqui por um dia pode ser que dê. Asseguro-to.
Camas ocas, cantos frios.
Lençóis encharcados, suores vazios.
No dia seguinte tocas-te, não te abri, espreitei pelo óculo da porta e não fui capaz sequer de falar.
Chamás-te o meu nome, disses-te que sabias que eu estava ali, fizes-te uma cara de um magoado desprezo, bateste de novo e foste.
Talvez amanhã pensei eu. Assegurei-me.
As paredes, o som mudo do vento.
Chaves à porta, tapetes enganados.
Voltas-te, desta vez telefonaste-me antes a avisar que vinhas, porem não to atendi foi para o atendedor de chamadas. Tinhas a voz gravemente lúcida, parecia que tinhas a total certeza do que dizias, isto tem de acabar.
Tocou a campainha, cada tom era como uma faca aguçada, pequena que se cravava ao peito.
Abre, suplicás-te.
O embater dos corpos, chão.
Escárnio bruto, corte nas mãos.
Foste, já sei o que te dizer.
Vai não voltes, torna.
Fica não partas, foge.
Vontade.















Comments
Gosto particularmente daquela antitise final...
Beijo!
(antitese)
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Ancient Ways, Modern Days
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